A identidade da Performance
A semana começa e o público assíduo à MIP 2 tem a oportunidade de testemunhar a diversa identidade da Performance. Nos corredores, nas mesas e até mesmo nos banheiros a discussão corre solta. Debates em torno das contaminações de linguagens, dos recursos elegidos por um e outro performer, das composições espaciais, da preparação do corpo. Afinal, onde está e onde não está a performance? Como seguramente nomear “performance” a uma ação realizada no fluxo corriqueiro da vida urbana, à uma ação aparentemente simples, mundana, banal?
Discutir a qualidade dos trabalhos apresentados é mais do que saudável; ou antes, é mais do que uma crítica feita à boca miúda. É, acima de tudo, exercer nossa capacidade de reflexão sobre nossas experiências com a arte, é trazer à luz o caráter coletivo, intersubjetivo, de nossa concepção atual de arte. O que é e o que não é. O que incluimos em nossas denominações mais caras de arte e o que excluímos. Mesmo que não explicitamente, ao confrontar opiniões e percepções, estamos participando dos processos de formação, de descontrução e de antecipação da identidade de manifestações artísticas e/ou modelos poéticos.
Em meio a duas garotas segurando bandeira coloridas, a um homem filtrando a água do ribeirão Arrudas, a uma mulher nua a se lambuzar com uma grande quantidade de frutas, a um homem a ler silenciosamente um texto sobre o silêncio e a duas strippers de peruca loira, a programação de terça feira evidenciou que os curadores foram cuidadosos na escolha, ressaltando com maestria as múltiplas, ambivalentes e igualmente pertinentes faces da performance.
Em tempo.
Na tarde de terça, no debate posterior à mesa redonda “Visões da Performance”, uma palavra um tanto ausente da esfera artística tornou a fazer uma aparição – tímida. Proferida por um e ressaltada por outro, “escandalo” atiçou os ânimos, a curiosidade e o interesse teórico de alguns. Ouviu-se, incluvise, rumores de uma futura tese acadêmica intitulada “a escandalização da arte na contemporaneidade”.

